Idealizadora de projetos voltados ao futebol feminino, Tami Prado vem
criando oportunidades e dando visibilidade a jovens atletas de Franca e
região. Um trabalho que começou de forma independente e que, aos
poucos, também começa a levá-la por caminhos que um dia fizeram parte
dos seus próprios sonhos.

Antes dos projetos, Tami também esteve dentro de campo. Foi atleta, teve
seus próprios sonhos e viveu de perto a falta de oportunidades no futebol.
Ela deixou de jogar, mas o futebol nunca deixou de fazer parte da sua vida.
“Eu acho que o futebol sempre encontrou uma maneira de me trazer de
volta, só mudou o meu lugar dentro dele. Antes eu queria jogar, hoje, meu
sonho é poder ajudar outras meninas a realizarem os sonhos delas.
” – diz Tami.
Foi assim que nasceu, há três anos, o Projeto Futuras Estrelas. Sem fins
lucrativos e com pouco apoio, o projeto trabalha com meninas a partir dos
5 anos e já começa a abrir caminhos: atletas acompanhadas pelo projeto
vêm conquistando oportunidades em clubes paulistas.
Quando você olha para tudo que construiu nesses três anos, o que
sente?
– Quando uma menina consegue uma oportunidade, eu penso: “Caramba,
está dando certo.” Eu sei de onde a gente começou e tudo o que foi preciso
para chegar até aqui, então, cada porta que se abre para elas também
representa uma conquista para mim, e é a confirmação de que todo o
esforço está valendo a pena.
A falta de apoio ainda é uma das maiores dificuldades?
– Com certeza. As pessoas veem a oportunidade chegando, mas não tudo o
que existe por trás. Eu queria que mais empresas entendessem que apoiar
o futebol feminino de base não é chegar quando a atleta já está pronta, é
acreditar nela quando ela ainda está começando.
E Tami acredita. Foi justamente acompanhando essas atletas que ela
percebeu que existia outra barreira depois do desenvolvimento: ser vista.
Assim nasceu o Star Talents.
O que você quer construir com o Star Talents?
– Tem muita atleta talentosa que só precisa ser vista. A Star Talents nasceu
para isso: dar visibilidade, criar conexões e aproximar essas meninas de
novas oportunidades, e eu quero ser essa ponte.
Essa talvez seja uma das características que melhor definem o trabalho de
Tami, ela não espera que o caminho exista, ela tenta construí-lo.
2027: QUANDO ELA TAMBÉM VAI VIVER OS PRÓPRIOS SONHOS
Nos últimos anos, Tami dedicou boa parte da sua vida aos sonhos de
outras meninas. Em 2027, será a vez de realizar um dos seus.

Tami Prado vai à Copa do Mundo Feminina de 2027
Mas, para ela, estar na Copa representa muito mais do que acompanhar o
maior evento do futebol feminino.
“Eu quero viver essa Copa por inteira. Estar nos jogos, conhecer
pessoas, criar conexões, aprender e viver de perto tudo aquilo que eu
sempre acompanhei de longe, e acho que em algum momento vou
parar e pensar: ‘olha onde o futebol me trouxe e talvez o mais especial seja saber que isso ainda é só o começo” diz Tami.
Outro grande sonho de Tami é viver uma experiência de voluntariado na
África e a Organização WeFootball abriu as portas para que esse sonho
comece a se tornar realidade. A Organização utiliza o futebol como
ferramenta de transformação social em comunidades africanas. E é nesse
caminho que está Ranieri Salvini, um dos responsáveis pela WeFootball e
grande amigo de Tami, que tem sido uma ponte importante para essa
nova experiência.
O que a WeFootball e o Ranieri representam nessa fase?
– O Rani é uma pessoa muito especial para mim. A gente sempre fala sobre
como as pessoas certas aparecem no momento certo, e eu sinto que foi
exatamente assim com ele. Além de ser um grande amigo, ele acredita
muito nos meus sonhos e, através dele e da WeFootball, conheci pessoas
incríveis que também passaram a acreditar no que eu quero construir. Às
vezes, tudo o que a gente precisa é encontrar pessoas que enxerguem
nossos sonhos junto com a gente.
E por que você sonha tanto com esse voluntariado?
– Eu não quero apenas conhecer o mundo, quero deixar algo bom por
onde eu passar, e poder fazer isso através do futebol torna tudo ainda mais
especial.

Em três anos, Tami Prado viu uma ideia com poucos recursos começar a
abrir caminhos para outras meninas. Agora, novos caminhos também
começam a se abrir para ela.
Franca foi o ponto de partida. Em 2027, vêm a Copa do Mundo Feminina, o
voluntariado na África e novas experiências pelo mundo, mas o objetivo
continua o mesmo: ir, aprender, crescer e trazer de volta. Porque Tami não
quer apenas conquistar seu espaço no futebol feminino. Quer abrir espaço
para que outras pessoas também possam chegar. E essa história está
apenas começando.



