Rifaina foi palco, no dia 8 de fevereiro de 2026, de uma grande celebração da cultura popular: o Encontro de Bandeiras da Alta Mogiana, realizado pela Associação Folclórica Tradição Cultura Popular de Franca em parceria com a Prefeitura Municipal de Rifaina. O evento reuniu e valorizou manifestações tradicionais que atravessam gerações e representam a identidade histórica da região, conectando fé, memória, ancestralidade e pertencimento.
Com a participação de grupos e coletivos vindos de Franca, Ituverava, Igarapava, Sacramento, Delfinópolis e Goianazes, o encontro trouxe para Rifaina expressões culturais como Folia de Reis, Congada, Moçambique e Maracatu, fortalecendo laços entre cidades da Alta Mogiana e regiões próximas, além de promover intercâmbio entre mestres e integrantes de diferentes tradições.
O que significa “Encontro de Bandeiras” e por que é tão simbólico
O termo “Encontro de Bandeiras” se refere a um dos elementos mais marcantes dessas manifestações: a bandeira do santo de devoção que cada grupo carrega à frente de seus cortejos e apresentações. Mais do que um símbolo visual, trata-se de um objeto identitário e sagrado, que representa a proteção, a bênção e a presença simbólica do divino dentro da tradição.
Esse gesto, trazer a bandeira como guia e como expressão de fé, reforça a ideia de continuidade: a cultura popular não é apenas apresentação, mas sim um conjunto vivo de saberes, ritos, histórias e vínculos comunitários, preservados por gerações e transmitidos no cotidiano.

Projeto regional com apoio do ProAC fortalece cultura popular e combate a descontinuidade
O encontro integra o Projeto Celebração e Continuidade da Cultura Popular das Congadas e Folias de Reis da Alta Mogiana, que conta com apoio do Programa de Ação Cultural – #ProAC 2024, da Secretaria de Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O objetivo central do projeto é preservar, sustentar, fortalecer, transmitir e celebrar os saberes e fazeres que mantêm essas tradições vivas.
Um ponto fundamental é que o Encontro foi destinado prioritariamente a coletivos de cidades que enfrentam riscos reais de descontinuidade dessas manifestações. Rifaina, por exemplo, já teve grupo de Folia de Reis, e iniciativas como essa buscam justamente reacender, estimular e apoiar caminhos para que a tradição possa voltar a florescer, especialmente por meio do intercâmbio com grupos ativos em outras cidades.

Programação dividida em dois momentos: memória registrada e apresentações com grande participação
A programação foi estruturada em dois grandes blocos, pensados para valorizar tanto o aspecto simbólico e social quanto o caráter formativo e de preservação histórica.
Pela manhã, após a recepção, aconteceu um café coletivo e, na sequência, a Roda de Conversa com os Mestres dos grupos participantes. Esse momento, considerado um dos diferenciais do Encontro, foi gravado para registro histórico. A decisão tem um motivo especial: muitos mestres são idosos e carregam consigo um repertório de experiências, histórias, cantos, fundamentos e vivências que são insubstituíveis, verdadeiras “bibliotecas vivas” da cultura popular. O conteúdo gravado será disponibilizado nas redes sociais ao final do projeto, ampliando o acesso e reforçando o compromisso com documentação e preservação.

Na roda de conversa, foram debatidos temas considerados cruciais para a sobrevivência dessas tradições na década atual, como preservação, sustentação, fortalecimento e transmissão dos saberes e fazeres diante de desafios contemporâneos, incluindo a manutenção de grupos, a formação de novas gerações, a valorização institucional, o enfrentamento do preconceito e o fortalecimento da cultura como eixo social e comunitário.
Um dos depoimentos que mais marcou o encontro foi o de Seu Aparecido, Embaixador da Companhia de Reis Unidos de Belém, que afirmou que “trocaria sua apresentação por aquele momento, porque nunca tinha vivido aquilo em todos os encontros que havia participado”. A declaração recebeu concordância de diversos mestres presentes, que destacaram o quanto o espaço de escuta, diálogo e troca de experiências elevou o propósito do evento para além da apresentação, transformando-o também em ação de formação, memória e fortalecimento coletivo.

Apresentações ocorreram no Centro de Convenções por conta da chuva, mas mantiveram brilho e envolvimento
No período da tarde, depois do almoço no Centro de Convenções, as apresentações culturais tomaram conta do local. A previsão inicial era que parte das atividades acontecesse no Teatro de Arena, mas a chuva intensa inviabilizou o uso do espaço. Ainda assim, a alteração de local não diminuiu a potência do encontro: os grupos se apresentaram com força, beleza e grande envolvimento do público, reforçando que a cultura popular se adapta, resiste e segue viva mesmo diante dos imprevistos.
Participaram das apresentações os seguintes grupos e coletivos:
- Congada Três Colinas De Franca
- Companhia Salve os Três Reis Santos
- Os Marinheiros De Franca
- Coletivo Rosa da Mata
- Folia de Reis e Congo Filhos de Goianazes
- Companhia de Reis Irmãos Severino
- Companhia de Reis Unidos de Belém
- Companhia de Reis Filhos de Capetinga
- Congada Guarda de São Benedito
- Terno de Moçambique Filhos de Jorge
A pluralidade de grupos reforçou o caráter regional e intercultural do Encontro, reunindo diferentes linguagens dentro das matrizes afro-brasileiras e populares, além de reafirmar a cultura como ferramenta de conexão entre comunidades e territórios.

Autoridades destacam valorização cultural, integração regional e impacto econômico
O evento também foi acompanhado por autoridades e lideranças locais, que ressaltaram o impacto do encontro para o município e para a região.
O prefeito de Rifaina, Wilson Alves da Silva Junior, afirmou que a realização do Encontro foi motivo de grande orgulho, destacando que a iniciativa se consolidou como “um marco de valorização cultural, acolhimento e integração regional”. Ele reforçou ainda a visão de que “investir em cultura é investir na economia da cidade”, apontando que Rifaina busca se posicionar como um polo cultural reconhecido, articulando tradição, turismo e desenvolvimento.
Já o secretário adjunto de Turismo de Rifaina, Leandro Garcia Resende, chamou atenção para o papel transformador do turismo cultural quando construído com responsabilidade. Segundo ele, o Encontro “contribuiu para o enfrentamento do racismo estrutural por meio da valorização da cultura negra e popular”, e ressaltou que o turismo cultural, quando elaborado e sistematizado com seriedade, cumpre um papel pedagógico e transformador, fortalecendo identidade, promovendo consciência social e criando novos caminhos de pertencimento.
A presidente da Associação Folclórica Tradição Cultura Popular de Franca, Eliza Antonia, reforçou que o apoio do ProAC foi essencial para a realização do encontro e para impulsionar o propósito do projeto. Ela destacou que a iniciativa fortalece o compromisso de preservar, transmitir e celebrar as tradições, consolidando a cultura popular negra e afro-brasileira como um pilar importante de desenvolvimento social, econômico e humano em toda a região.

Presença de crianças emociona e reforça continuidade das tradições
Outro ponto que se destacou no Encontro foi a presença expressiva de crianças, acompanhando, participando e vivenciando as tradições junto aos grupos. O tema ganhou destaque em fala do vereador Ernani Baraldi, que fez um comentário emocionado sobre a relevância social do evento:
“Um ponto muito importante foi o número de crianças participando, o que acalenta o coração, pois mostra que o bastão está sendo passado para as novas gerações, garantindo que a cultura siga viva.”
A participação infantil é frequentemente apontada como um dos elementos mais decisivos para a continuidade de manifestações tradicionais, pois garante que o conhecimento não se restrinja aos mais velhos, criando futuro para a tradição por meio da convivência, da prática e do vínculo comunitário.

Rifaina se afirma como destino cultural e fortalece redes regionais
O sucesso do Encontro de Bandeiras da Alta Mogiana evidencia que Rifaina está preparada para se afirmar como um destino cultural de relevância regional, articulando cultura, turismo e identidade territorial. Além do fortalecimento das redes culturais entre municípios, o evento também gerou movimentação local, ampliando o fluxo de visitantes e reforçando o potencial do turismo cultural como ferramenta de desenvolvimento.
Mais do que celebrar, o encontro demonstrou que ações estruturadas e bem articuladas têm força para preservar tradições, promover intercâmbio entre grupos, combater a descontinuidade e ampliar a valorização da cultura popular como patrimônio vivo, um bem coletivo que precisa ser defendido, transmitido e respeitado.
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