Desde que a nova turnê de Beyoncé começou, diversos ataques começaram a surgir nas redes sociais por ter muita referência a bandeira americana, visto o péssimo momento que o país vive com a gestão do atual presidente Donald Trump.
Confesso, quando vi os primeiros vídeos da nova turnê da Beyoncé, revirei os olhos. Bandeira americana pra todo lado, visual patriótico, e ela ali, poderosa, como sempre. Em pleno caos político dos EUA, com Trump voltando a ganhar força, aquilo tudo me pareceu… fora de hora. Um deslize? Uma alienação? Mais uma diva abraçando símbolos do país como se nada estivesse acontecendo?
Beyoncé de fato faz uso demais das cores e da própria imagem da bandeira americana, só que ao contrário do que muitos criticam e pensam, o uso das cores e da imagem da bandeira americana, são usadas como forma de protesto e de crítica ao seu próprio país de origem.
O álbum Cowboy Carter veio como o segundo ato de uma possível trilogia de trabalhos de Beyoncé. O segundo álbum vem com uma pegada de recuperação e crítica por parte de americanos pretos em relação a música country, criada pelos povos pretos e roubada pelos brancos.

Além de fortes críticas a esse roubo de criação e identidade, Beyoncé também retrata nas letras, de forma bastante forte, realidades tristes do povo preto norte americano, como por exemplo em “YaYa” quando a própria diz:
Minha família viveu e morreu na América. Bom e velho EUA. Muito vermelho naquele branco e azul, hein. A história não pode ser apagada.
Além de mensagens claras e diretas nas letras do Cowboy Carter, Beyoncé usa também a ordem da setlist do show como forma de protesto, cantando a música Freedom, presente no álbum Lemonade, logo após se apresentar cantando o hino nacional americano.
Com as letras das músicas, a ordem da setlist, os looks, e também cenas de interludes ou nos telões do show, Beyoncé traz um verdadeiro show de militância já com uma das turnês mais lucrativas da história.
Ainda durante o espetáculo, Beyoncé trás de forma clara e objetiva o cerceamento da liberdade, o que claramente acontece no momento atual dos EUA durante a gestão Trump, com imigrantes sendo expulsos de forma violenta, ou até mesmo os ataques a direitos tirados da comunidade LGBTQIAPN+ e ela entrega esse recado com a cabeça da Estátua da Liberdade de uma forma amordaçada, sem que possa falar.

Qualquer crítica feita aos looks de Beyoncé, ou até mesmo o uso exagerado das cores da bandeira americana, são meras críticas rasas ou mal intencionadas. Quem não ouviu o álbum, ou não quis entendê-lo, eu sinto muito.
As vezes um álbum musical ou uma turnê de diva pop, vai muito além de carão ou música para curtir numa balada. Não querer entender faz parte, não gostar de ouvir também faz parte, criticar apenas por criticar, sem entender o conceito das coisas, é no mínimo, desonesto.
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