A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu, em junho, uma consulta pública para reavaliar a regulação do mercado de internet das coisas (IoT) e das comunicações máquina a máquina (M2M) no Brasil. O órgão aponta que o país já soma cerca de 30 milhões de acessos vinculados a essas tecnologias, o equivalente a 11% de todas as conexões móveis em operação atualmente. O levantamento evidencia a velocidade com que sensores, veículos e equipamentos vêm se conectando a redes de telecomunicações para fins de monitoramento remoto.
O crescimento já era percebido no fechamento de 2024, quando dados da Anatel mostraram alta de 9,9% nos acessos de IoT no país, que passaram de 43 milhões para 47,3 milhões em um único ano. Foram justamente os chips voltados a dispositivos machine to machine, entre eles equipamentos usados no rastreamento de veículos e frotas, os responsáveis por puxar a expansão total do mercado móvel brasileiro no período.
Esse movimento coloca pressão direta sobre as centrais de rastreamento e monitoramento de ativos, responsáveis por processar, em tempo real, o volume crescente de dados gerados por veículos, cargas e equipamentos conectados. De acordo com André Luiz Ota, CEO da Ikonn, empresa de engenharia de sistemas voltada a esse segmento, o setor atravessa uma espécie de seleção natural, na qual plataformas frágeis perdem espaço para arquiteturas preparadas para operar em larga escala.
"O mercado está passando por um expurgo natural. Por muito tempo, vender rastreamento era apenas colocar um chip em um módulo básico e rezar para o software não travar", analisa. Para o executivo, atualmente quem tenta dominar o mercado usando sistemas legados ou plataformas de prateleira genéricas está sendo engolido pela concorrência.
"As centrais que estão liderando essa nova fase abandonaram a mentalidade de ‘comprar software barato’ e passaram a investir em ecossistemas baseados em alta disponibilidade, em que a plataforma absorve o estresse do crescimento massivo sem que o cliente final perceba qualquer oscilação", completa.
Pilares para sustentar o crescimento
Na avaliação de Ota, o fator determinante para uma central se preparar para escalar é a aplicação efetiva da engenharia de sistemas. Segundo ele, escalar não significa apenas adicionar servidores, mas contar com uma arquitetura de dados projetada para suportar o IoT massivo desde a concepção do sistema.
"Há três pilares como inegociáveis: robustez de banco de dados, capaz de processar bilhões de coordenadas e extrair informações de redes CAN-bus em milissegundos; automação operacional, com motores de regras que decidem e alertam de forma autônoma, reduzindo o custo com operação humana; e integração entre o software usado no escritório e a ferramenta utilizada pelo técnico em campo, unificando a fonte de informações da operação", elenca o executivo.
A ponta de operação também é identificada pelo CEO da Ikonn como decisiva para o resultado final. Conforme explica, falhas na instalação física ou na configuração de hardware comprometem toda a cadeia de dados que abastece a central. "Por isso, tecnologias que permitem ao técnico realizar um autoteste de instalação, validando sinal de GPS, GPRS, bloqueios e sensores periféricos antes de concluir o serviço, eliminam retrabalho e ampliam a velocidade de ativação de novos veículos monitorados", assinala.
Tendências para o futuro
Para os próximos anos, Ota projeta a consolidação de centrais que mantenham controle próprio sobre a operação de ponta a ponta, em contraposição às que ainda dependem de soluções terceirizadas e engessadas. Do ponto de vista tecnológico, ele avalia que o cruzamento do 5G com hardwares mais avançados, como o padrão internacional de vídeo telemetria JT/T 808, deve exigir processamento de inteligência artificial na borda da rede, prática conhecida como edge computing.
"Não estaremos mais rastreando posições, estaremos ingerindo fluxos de vídeo com IA preditiva e biometria do motorista em tempo real", afirma. Para ele, empresas sem uma engenharia de sistemas preparada para essa avalanche de dados complexos tendem a perder espaço no mercado nos próximos anos.
O movimento identificado por Ota dialoga diretamente com o cenário indicado pela Anatel: o crescimento acelerado de dispositivos conectados amplia a quantidade de dados que trafegam nas redes de telecomunicações e exige das centrais de rastreamento uma base tecnológica capaz de sustentar essa expansão sem comprometer a estabilidade do serviço prestado.
"A discussão regulatória em curso e os indicadores de mercado confirmam que a infraestrutura tecnológica se tornou fator central para a competitividade do setor nos próximos anos", completa o executivo.
Para mais informações, basta acessar: https://www.ikonn.com.br



