Três postos de combustíveis foram fechados nesta quinta-feira (20) durante uma fiscalização da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) no interior paulista. Dois ficam nos Campos Elíseos, em Ribeirão Preto, e o terceiro no Jardim Santana, em Franca.
Segundo informações das autoridades responsáveis pela operação, os estabelecimentos não tinham autorização para funcionar e utilizavam maquininhas de cobrança registradas em nomes diferentes dos postos.
Os fiscais lacraram as bombas e recolheram equipamentos de pagamento e documentos.
Em Ribeirão Preto, foram lacrados o Auto Posto Estrela de Madri, na Avenida da Saudade, e o Auto Posto Marechal Costa e Silva, na Rua Capitão Salomão. Em Franca, a fiscalização ocorreu no Posto Terrana, na Avenida Miguel Alves de Melo França.
Os três estabelecimentos pertencem ao empresário Pedro Furtado Gouveia Neto, um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para investigar um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Pedro é sócio da GGX Global, empresa apontada pela Justiça de São Paulo como ligada ao grupo de Mohamad Hussein Mourad, principal suspeito de comandar o esquema de lavagem de dinheiro investigado na operação.
A ação desta quinta-feira ocorreu após a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acionar a Secretaria da Fazenda.
O que diz o Grupo GGX
Em nota, o Grupo GGX informou que Gouveia Neto está afastado da administração dos postos desde junho por políticas internas de compliance e que as interdições nos postos ocorreram por questões de natureza documental e cadastral que estão sendo discutidas por vias administrativas e judiciais.
“O Grupo GGX continuará adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para demonstrar a regularidade de suas atividades, buscar o restabelecimento da operação dos estabelecimentos atingidos e preservar os empregos e atividades econômicas deles decorrentes.”
Também informou que as interdições prejudicam não só as empresas, como também as famílias dos funcionários, fornecedores e o mercado.
“A paralisação dos estabelecimentos, portanto, ultrapassa os interesses empresariais do Grupo e produz reflexos imediatos sobre centenas de famílias e sobre a economia das localidades em que as empresas atuam.”
Além disso, o grupo repudiou qualquer associação de suas empresas a facções criminosas e afirmou estar à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários.
“O Grupo reitera que não possui qualquer vínculo com facção ou organização criminosa e repudia a divulgação de informações que apresentem como fatos consumados acusações que não estejam acompanhadas das respectivas provas e que ainda não tenham sido submetidas ao devido contraditório.”
A reportagem também tenta contato com a defesa de Pedro Furtado Gouveia Neto.

Relembre o caso
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025 para investigar a atuação do crime organizado na cadeia de combustíveis e no mercado financeiro. Mais de 350 pessoas e empresas foram alvo da operação.
Segundo as investigações, empresas, postos de combustíveis, distribuidoras, fintechs e fundos de investimento teriam sido utilizados para movimentar e ocultar recursos de origem criminosa, em cifras bilionárias.
Em maio deste ano, uma segunda fase, denominada Fluxo Oculto, apontou que integrantes do esquema teriam continuado a movimentar dinheiro, adulterar combustíveis e sonegar impostos mesmo após a primeira operação.
A investigação também identificou o uso de máquinas de cartão vinculadas a nomes diferentes dos estabelecimentos. A suspeita é de que o mecanismo pudesse fazer com que parte dos valores pagos pelos clientes não fosse registrada no faturamento declarado pelos postos, reduzindo a tributação sobre essas receitas. A reportagem não localizou os sócios dos estabelecimentos lacrados.
Por Adalberto Luque-Tribuna Ribeirão
G1 Ribeirão Preto e Região
Foto Google Street View/Reprodução



