A Pesquisa Secovi-SP do Mercado Imobiliário (PMI), realizada pelo departamento de Economia e Estatística da entidade junto às incorporadoras associadas, apurou em março a comercialização de 10.857 unidades residenciais novas na cidade de São Paulo.
Em 12 meses (abril de 2025 a março de 2026), as vendas a capital paulista acumulam 114,6 mil unidades vendidas. O VGV (Valor Global de Vendas) totalizou R$ 5,3 bilhões no terceiro mês do ano e atingiu R$ 58,7 bilhões no acumulado de 12 meses – valores atualizados pelo INCC-DI (Índice Nacional de Custo de Construção), da FGV, referente a março de 2026.
O indicador VSO (Vendas Sobre Oferta), que apura a porcentagem de vendas em relação ao total de unidades ofertadas, atingiu 11,4% em março. Em 12 meses, o VSO foi de 56,9%.
Lançamentos e oferta
De acordo com a pesquisa Secovi-SP, a cidade de São Paulo registrou o lançamento de 14.699 unidades residenciais novas em março e somou 138,2 mil unidades no acumulado de 12 meses.
O mercado imobiliário da capital paulista encerrou março 2026 com a oferta de 84,0 mil unidades disponíveis para venda. Esta oferta é composta por imóveis na planta, em construção e prontos (estoque), lançados nos últimos 36 meses (abril de 2023 a março de 2026).
O VGO (Valor Global da Oferta) totalizou R$ 62,2 bilhões no mês – valores atualizados pelo INCC-DI (Índice Nacional de Custo de Construção), da FGV, referente a março de 2026.
Segmentação
Os imóveis de 2 dormitórios destacaram-se no mês de março em todos os indicadores: 67% das unidades lançadas (9.850 unidades), 64% das vendas (6.934 unidades), 57% da oferta (48.089 unidades), 48% do VGV (R$ 2,6 bilhões), 33% do VGO (R$ 20,2 bilhões) e o maior VSO de (12,6%).
Imóveis na faixa de 30m² e 45m² de área útil lideraram em quase todos os indicadores: 65% dos lançamentos (9.563 unidades), 62% das vendas (6.730 unidades), 53% da oferta (44.730 unidades), o maior VGV com 41% (R$ 2,2 bilhões) e o maior VSO (13,1%). Os imóveis com metragem superior a 180 metros quadrados registraram o maior VGO com 29% do total (R$ 17,9 bilhões).
Os imóveis com preço entre R$ 264 mil e R$ 350 mil lideram com 36% os lançamentos (5.276 unidades), 42% das vendas (4.597 unidades), 38% com a maior oferta (31.800 unidades) e o maior VGV (R$ 1,4 bilhão). O maior VGO ficou com imóveis com preço acima de R$ 5,0 milhões com participação de 25% (R$ 15,8 bilhões). O maior VSO (14,0%) foi dos imóveis com preços abaixo de R$ 264 mil.
Econômicos e outros mercados
A partir de agosto de 2023, foi atualizada a faixa de preços dos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida alterando o limite de R$ 264 mil para R$ 350 mil na cidade de São Paulo. Para segmentar os imóveis econômicos, o Secovi-SP elegeu as faixas de preço enquadradas nos parâmetros do programa Minha Casa Minha Vida.
Em março, 56% das unidades lançadas e 64% das unidades vendidas foram enquadradas no Programa Minha Casa Minha Vida, correspondendo, em termos absolutos, 8.239 unidades lançadas e 6.920 unidades vendidas. A oferta disponível para a venda deste tipo de imóvel somou 45.159 unidades (54%), com VSO de 13,3%. Os outros mercados registraram 6.460 unidades lançadas, 3.937 unidades vendidas, oferta final de 38.840 unidades e VSO de 9,2%.
Com 37 lançamentos registrados no mês de março, destaque para o constante ritmo de vendas da categoria MCMV, que cresceu 3,8% em unidades e cerca de 6,2% em valores com relação ao mesmo mês do ano anterior, motivados pelo financiamento imobiliário (SFH), que apresentou expansão em relação ao mesmo período de 2025.
Zonas da cidade
A zona Sul, liderou em quase todos os indicadores lançamentos com 32% de participação (4.737 unidades), vendas 32% (3.506 unidades), oferta final 33% (27.840 unidades), VGV 41% (R$ 2,2 bilhões) e em VGO 39% (R$ 24,3 bilhões). E o maior VSO foi da zona norte (13,9%).
Palavra do especialista
O diretor de Economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, avalia o trimestre inicial do ano com otimismo para o setor, mesmo diante de um cenário desafiador. “O primeiro bimestre foi um período predominante da categoria MCMV, mas em março, a alta de lançamentos nas categorias de médio e alto padrão ganharam força no mercado paulistano”, destaca.
O executivo acredita que o mercado deve performar de forma semelhante ao ritmo apresentado em 2025. “Os financiamentos imobiliários do SFH estão indo muito bem, um avanço comparado ao primeiro trimestre do ano passado”, completa.
Perspectivas
As incorporadoras esperam continuidade na redução de juros e ampliação de financiamento de imóveis até R$ 2,25 milhões, o que explica a cautela inicial. Para os próximos meses, espera-se retomada do mercado de médio/alto padrão, apesar de preocupações com custos de insumos (INCC ~6%).



