Recentemente o uso do Hospital de Caridade tem voltado á tona

Como lá em 2020 o governo do prefeito Gilson de Souza sugeriu, e com bastante veemência e empenho, a utilização do Hospital de Caridade Dr. Ismael Alonso y Alonso como leitos de UTI para tratamento de pacientes com covid-19, ( leia https://www.brasilagro.com.br/conteudo/franca-quer-transformar-hospital-do-ima-em-grande-uti-contra-covid-19.html) alterando a proposta inicial do Instituto de Medicina do Além (IMA), que seria especificamente acompanhamentos paliativos. ( como exposto pelo Wellington, então Presidente do Hospital, na entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=9fPNANpnkjs )
O interesse do município, levado a cabo pelo empenho do secretário de saúde e do assessor de políticas públicas coordenou toda a tramitação para apresentação do plano de trabalho tanto na Câmara quanto no Conselho Municipal de Saúde até a culminação do convênio e compra de 20 leitos e as estruturas para o desempenho dos atendimentos (aqui inclui-se a doação de computadores feitos pela Santa Casa, conferível no link: https://www.fehosp.com.br/noticias/detalhes/3884Votações , e que não aparecem mais após essa data), foram feitas em caráter de urgência, reformas adiantadas, valores acordados e iniciados. Ao todo foram tratados pouco mais de 200 pacientes.
Ainda no contexto pandêmico, dá-se a impressão que a inauguração apressada do Hospital de Caridade, transmitida em tempo real, conferível seguindo o link: https://www.youtube.com/watch?v=9coBye1UoEo&t=8511s, foi para encaixar no calendário de repasses da União para enfrentamento á pandemia, e classificado como hospital de campanha, seria também contemplado com aporte desse repasse.

O caldo engrossou quando uma das parcelas integrantes do contrato de locação foi rejeitado pelo CMS, criando todo um efeito em cascata, desde mudança de postura do próprio secretário de saúde, que tomava a frente de muitas questões que não eram pertinentes em sua pasta, para agilizar as tratativas pré-negociação, a morosidade em liberar as credenciais pela Vigilância Sanitária, algo que foi aprovado na Câmara Municipal dois anos depois, em 2022, como pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=teMwX2Cajs8, , regularizando a área para a classificação de mista, permitindo assim os trabalhos do Hospital em sua localização original.
A partir dessas incongruências identificadas tanto no plano de trabalho, quanto no convênio e no segundo contrato de locação, denuncias encaminhadas ao Ministério Público sinalizavam pagamentos duplicados e um prejuízo aos cofres públicos, caracterizando nominalmente como ações conscientes perpetradas com a finalidade clara de desvio de verbas públicas. Tornando nomes do governo e da diretoria do Hospital réus em um processo civil de improbidade administrativa, que pode ser lida aqui: https://www.mpf.mp.br/sp/sala-de-imprensa/docs/500257479.2020.4.03.6113_Ocultado.pdf
Durante esses desdobramentos, a Diretora Clínica deixou a função por incompatibilidade frente a exigência técnica do cargo, lendo aqui: https://www.jornaldafranca.com.br/diretora-clinica-do-hospital-da-caridade-pode-ser-desligada-do-cargo-saiba/, e mais denuncias como escassez de materiais básicos como máscaras, aventais e EPI’s, presença de pombos nas instalações e possibilidade de contaminação de água pelo local de extração forçaram diligências da Vigilância Sanitária nas dependências do HC. No entanto, a diretoria negou e defendeu as medidas contraceptivas apropriadas em cada caso.
Enquanto a questão do uso ou não do Hospital de Caridade ganhava dimensões extra municipais, alcançando Ministério Público de Contas e o Tribunal de Contas do Estado, prefeitura e demais figuras envolvidas se esquivavam enquanto o grupo do IMA ainda esperava as credenciais e os pagamentos que, defendiam, deveriam ser pagos. A cidade explodia o numero de contaminação e a procura por vagas aumentava. Por força maior, o Hospital permanecia fechado, impossibilitado de oferecer seus serviços.
Quando Alexandre Ferreira assumiu seu mandato, em 2021, afirmou em uma de suas propostas de governo que regularizaria o Hospital. Foi empossado como prefeito e a história ainda duraria muito. Até hoje respinga essa problemática na imagem do Hospital, que inclusive perdeu bens de seu patrimônio para sanar dívidas contraídas nesse período e tenta buscar recursos para finalizar suas reformas e operacionalizar seu trabalho. A cidade aumenta preocupantemente a fila tanto por cirurgias eletivas quanto por espera de vagas em atendimentos de média e alta complexidades, e vê, quase que rotineiramente vidas entrando nas estatísticas de óbitos por falta de atendimentos em tempo hábil.
Adendo: Deve fazer alguns anos que o portal de transparência do site do IMA não é implementado, como pode ser conferido aqui: https://ima.org.br/transparencia, deixando a desejar quanto ao interesse na prestação de contas.
E repasses e impositivas existem para conter, na medida do possível o caos que está se tornando a saúde em Franca, mas não encontram o interesse necessário para buscar a resolução do problema. E muito menos fiscalização.
A parte 2 dessa matéria irá consumir um pouco mais de tempo, pois será complementada com visitas ao Hospital e entrevistas com alguns dos nomes citados, para enriquecimento dos fatos. Peço compreensão e agradeço a gentil atenção.


