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    Notícias Corporativas

    Microliving transforma o morar nas metrópoles

    DINOBy DINO25 de fevereiro de 2026
    Microliving transforma o morar nas metrópoles
    Microliving transforma o morar nas metrópoles

    Apartamentos de até 40 metros quadrados deixaram de ser nicho e passaram a representar uma transformação urbana: unidades menores, plantas integradas e serviços compartilhados no edifício, como lavanderia, coworking e academia. Em São Paulo, a expansão foi intensa. Somente em 2025, de acordo com dados do Secovi-SP, 25 mil unidades de até um dormitório (em que os studios se enquadram) foram lançadas.

    Esse movimento dialoga com o fenômeno de verticalização das cidades brasileiras, analisado pela Revista Pesquisa Fapesp ao mostrar o avanço de moradias em apartamentos no país (e suas implicações urbanas). Mas também aponta uma tendência que ficou conhecida mundialmente como microliving, principalmente a partir do ano 2000.

    A tendência também se conecta ao mercado de locação: de acordo com o Índice FipeZAP, o valor do aluguel de imóveis de um dormitório subiu 0,58% somente em dezembro de 2025, enquanto o IPCA (indicador utilizado como termômetro da inflação) foi de 0,33%. O imóvel de um dormitório registrou a maior rentabilidade de locação em dezembro frente a todos os outros tipos de unidades.

    O que o mundo aprendeu com os microapartamentos

    Em Nova York, o microliving ganhou visibilidade com o concurso adAPT NYC, realizado em 2012 pela prefeitura da cidade, instigando a criação de projetos para atender a famílias de no máximo dois integrantes. O vencedor ficou conhecido como Carmel Place, com unidades pequenas e áreas comuns mais generosas — um caso frequentemente citado como laboratório urbano e que ficou pronto em 2016.

    A experiência de inovação arquitetônica, porém, também evidenciou tensões sobre os limites do modelo como solução para viabilizar a aquisição de moradia mais barata em um contexto de pressão dos preços.

    O debate ambiental é igualmente ambivalente. Pesquisas recentes sobre "tiny houses" indicam que habitações muito pequenas podem reduzir materiais e impactos (sobretudo relacionados à energia incorporada nos empreendimentos imobiliários), mas os resultados dependem de localização, padrões de consumo e infraestrutura urbana.

    Qualidade ou precarização?

    O microliving tende a atrair moradores que priorizam localização e tempo: morar perto do trabalho, do metrô, de serviços e do lazer. Essa lógica se alinha ao conceito da "cidade de 15 minutos", difundido pelo arquiteto franco-colombiano Carlos Moreno e discutido na literatura internacional como estratégia de sustentabilidade, resiliência e qualidade de vida urbana. Ao reduzir deslocamentos, o modelo pode diminuir a dependência do carro e ampliar a vida de bairro — quando acompanhado de calçadas, comércio local e espaços públicos ativos.

    Outro argumento é a praticidade: menos área para limpar, custos de manutenção potencialmente menores e mais incentivos ao uso de áreas comuns. Contudo, a experiência só funciona bem quando o edifício entrega espaços coletivos de qualidade e a cidade oferece infraestrutura, espaços verdes e serviços no entorno.

    O "morar pequeno" também pode escorregar para uma lógica de aperto — e não de eficiência. Pesquisas indicam que a vida em espaços muito pequenos varia muito entre "escolha" e "falta de alternativa", além de depender de ventilação, iluminação, desenho interno e acesso a espaços externos. Em mercados altamente pressionados, críticos alertam para o risco de normalizar metragens insuficientes, com impactos sobre saúde mental, privacidade e acomodação de diferentes perfis familiares (inclusive casais com filhos).

    Microliving integrado a um projeto de cidade

    Na Região Leste de São Paulo, a lógica do microliving se articula a uma estratégia urbana mais ampla: a criação de uma nova centralidade baseada em uso misto, adensamento planejado e proximidade entre moradia, trabalho e serviços. É nesse contexto que se insere o Eixo Platina, projeto concebido pela Porte Desenvolvimento Urbano, ao longo de um eixo urbano de cerca de 3,6 quilômetros, conectando empreendimentos residenciais, corporativos, hoteleiros, comerciais, de cultura e lazer em uma mesma malha urbana.

    A iniciativa parte de um diagnóstico estrutural da cidade. Apesar de concentrar 38% da população paulistana, a região tem menos de 10% dos empregos formais, forçando deslocamentos longos. O Eixo Platina surge para reequilibrar esse cenário, criando uma centralidade urbana integrada ao cotidiano local e servindo de modelo de distrito urbanístico.

    Localizado entre as estações Tatuapé, Carrão e Belém (metrô, CPTM e ônibus), o Eixo conecta-se facilmente ao centro de São Paulo, principais vias urbanas e ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, favorecendo moradores e empresas.

    Nesse cenário, os studios e apartamentos compactos deixam de ser apenas uma solução imobiliária e passam a integrar um projeto urbanístico mais complexo e alinhado à lógica da chamada cidade de 15 minutos. A proposta não se resume à redução da metragem privada, mas aposta na oferta de infraestrutura urbana, serviços no térreo, comércio de proximidade, áreas de convivência no edifício e usos complementares que ampliam a vida pública e reduzem a necessidade de longos deslocamentos.

    Para Mila Soares, diretora de Incorporação e Novos Negócios da Porte Engenharia e Urbanismo, a crescente busca por studios reflete uma mudança cultural mais profunda na relação das pessoas com a cidade. "O studio não é apenas sobre reduzir metragem, mas sobre reorganizar a vida urbana. Quando ele está inserido em um ambiente com transporte público, serviços, trabalho e lazer próximos, passa a representar ganho real de qualidade de vida. É por isso que defendemos projetos de uso misto, capazes de criar centralidades urbanas mais humanas, eficientes e sustentáveis", afirma.

    Ao consolidar empreendimentos residenciais, lajes corporativas, hotelaria, comércio, cultura e lazer em uma mesma área, o Eixo Platina materializa uma nova forma de adensamento urbano em São Paulo — menos dependente do automóvel, mais conectada ao transporte coletivo e orientada à convivência. Nesse modelo, o microliving deixa de ser uma resposta isolada à pressão imobiliária e passa a funcionar como parte de uma estratégia estruturante de cidade, em que densidade, mobilidade e qualidade de vida caminham juntas.

    ARQUITETURA CONSTRUÇÃO CIVÍL Economia ENGENHARIA URBANISMO

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